sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Casamentos morganáticos

Olá a todos! Hoje trago um assunto que vai interessar a quem gosta de histórias da realeza: os casamentos morganáticos de alguns de seus membros. Aqui teremos seis exemplos mas existem muitos outros mais. Vamos conhecê-los?



PEDRO DE ALCÂNTARA DE ORLÉANS E BRAGANÇA
E ELISABETH DOBRZENSKY DE DOBRZENICZ

Pedro e Elisabeth. Imagem: site Conservadorismo do Brasil
No início do século passado o príncipe resolveu casar com a condessa tcheca e teve a reprovação da mãe, a Princesa Isabel, pois a noiva não vinha de uma Casa Real ou Imperial. Para a princesa, a nora era apenas a filha de um conde que usava um título 'de cortesia'. O moço teve que assinar um documento abdicando dos direitos de sucessão (ele era o príncipe herdeiro) em favor do irmão mais novo Luís Maria Filipe. Os descendentes do distinto casal hoje formam o ramo não-dinástico de Petrópolis.

ALEXANDRE II DA RÚSSIA E CATARINA DOLGORUKOVA

Imagem: blog Os Romanov
O czar já havia conhecido sua mais duradoura amante (e ao que parece o amor da sua vida) quando ela tinha 12 anos mas acabou esquecendo o fato pois ela ainda era uma menina. Voltaram a se ver quando a moçoila tinha 16 anos e sua beleza encantou Alexandre. Ele era casado com Maria Alexandrovna e tentou ser discreto em seu romance com Dolgorukova porém... como conseguir isso sendo alguém para quem todos os olhos se voltam? Além do mais ela teve o terceiro filho com o imperador no Palácio de Inverno! Quando Maria morreu de tuberculose em 1880 a primeira coisa que Alexandre fez foi converter a amante em esposa cerca de um mês depois de enviuvar! Os filhos legítimos ficaram loucos da vida com o enlace mas o czar se justificou dizendo que temia ser assassinado antes e deixar Catarina sem nada. Ele permaneceu governando a Rússia ao contrário de outros que ousaram fazer o mesmo e foram banidos do país (afinal como um mandatário se exilaria a si mesmo?). Depois que Alexandre morreu Catarina foi embora do Palácio de Inverno e foi morar em Paris recebendo uma pensão de 3,4 milhões de rublos. No entanto faleceu 41 anos depois quase na miséria. Seus descendentes detem o título de Príncipe Yurievsky e Princesa Yurievskaya (herdados da mãe).

TATIANA CONSTANTINOVNA ROMANOVA E
CONSTANTINO ALEXANDROVICH BAGRATION-MUKHRANSKY

Constatino e Tatiana no dia do casamento. Imagem: Wikipédia

Tatiana era filha de Constantino Constantinovich Romanov, primo de Nicolau II. Em 1911 ficou noiva de Constantino Bagration e o pai dela foi falar com o czar e a czarina a fim de que o casamento não fosse considerado morganático pois o noivo não pertencia a uma família dinástica. O casal imperial, segundo o diário do grão-duque, garantiu que o matrimônio não seria visto como tal pois a Casa Bagration (da Geórgia) um dia já foi reinante. Assim sendo o casamento foi considerado dinástico mas achei interessante listá-lo. Os dois se casaram e tiveram dois filhos, Teymuraz e Natália. O príncipe georgiano assinou como Príncipe Gruzinsky (Georgiano). Constantino (o marido) morreu em 1915 durante uma batalha em plena 1ª Guerra. Mais tarde ela casou de novo mas enviuvou poucos anos depois.

NICOLAU GUILHERME DE NASSAU E NATÁLIA ALEXANDROVNA PUSHKINA


O príncipe de Luxemburgo casou em Londres com Natália, neta do poeta russo Pushkin. Seus filhos não poderiam herdar os títulos ou a posição do pai. No entanto Natália recebeu o título de Condessa de Merenberg do príncipe Jorge Vítor de Waldeck e Pyrmont. Sua filha Sofia, assim como os pais, também se casaria morganaticamente com Miguel Mikhailovich da Rússia. O grão-duque Adolfo de Luxemburgo, tio de Sofia, deu-lhe o título de Condessa de Torby e esse podia ser herdado pelos seus filhos.

FRANCISCO FERNANDO DA ÁUSTRIA E SOFIA CHOTEK



Talvez esse seja o maior exemplo de quando alguém joga as convenções da realeza pro espaço e escolhe seguir o coração: o príncipe herdeiro do trono austríaco apaixonou-se pela dama de companhia tcheca e brigou com meio mundo a fim de desposá-la. Os dois se casaram e tiveram três filhos. O preço foi alto: FF teve que assinar um documento onde dizia que Sofia nunca seria imperatriz e os filhos nunca estariam na linha de sucessão. Spoiler: os dois foram assassinados em Sarajevo (Bósnia) em 1914, evento esse que foi o estopim da 1ª Guerra. Maiores detalhes sobre a incrível história de amor clique aqui.

PAULO ALEXANDROVICH DA RÚSSIA E OLGA PALEY
 
Paulo Alexandrovich e sua amada Olga Paley

O grão-duque apaixonou-se perdidamente por Olga quando ela ainda era casada com o ajudante-de-campo Erich von Pistohikors e insistiu que seu sobrinho Nicolau II concedesse o divórcio a ela. O czar concordou mas impôs a condição que o tio não casasse com a mulher. Ele 'concordou': na primeira oportunidade trocou alianças com seu amor e os dois foram banidos da Rússia. Tiveram três filhos (Vladimir, Irina e Natália, os quais herdaram o sobrenome Paley). Olga recebeu o título de Condessa von Hohenfelsen de Leopoldo da Baviera e o título podia ser herdado pelos filhos do casal. Mais informações sobre Paulo e a história dele com Olga, clique aqui.

Quando se trata de casar por amor o negócio pode ser espinhoso... Que o digam esses casais! No entanto eles ficaram juntos mesmo com todas as represálias. Existem mesmo coisas que o dinheiro não pode comprar. Enfrentaram meio mundo de oposição, tormentas, desejos contrários... e não desistiram. Espero que tenham gostado. Até mais, pessoal!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Pica Pau e os sete pecados

Olá a todos! Há algum tempo li uma matéria sobre um artigo de um acadêmico brasileiro sobre a relação entre o seriado Chaves e os sete pecados. Achei o tema particularmente interessante e tempos depois me veio a ideia de fazer algo parecido mas falando do Pica Pau. Quem não se lembra do pássaro de cabeça vermelha e corpo azul que aprontava todas e mais algumas? Woody Woodpecker (seu nome em inglês) é de longe o pássaro mais famoso dos desenhos animados que embalou a infância de muitos de nós. Vamos dar uma conferida?



AVAREZA

O quê você faria pra recuperar dinheiro perdido? Talvez alguém diga que depende do valor... Aqui vemos o pássaro tendo que obedecer às regras do local onde mora e tentando tomar um banho (pago, diga-se de passagem) e é onde ele perde 10 centavos, o que o deixa louco! Vamos conferir o que o Pica Pau foi capaz de fazer pra reaver seu rico dinheirinho.



GULA

São vários os episódios onde Woody come por dez ou vinte mas esse é um dos melhores. A única coisa que importa aqui é comer o máximo possível. Como é expulso da pensão por Leôncio ele vê uma forma de voltar e comer o quanto quiser: fantasiado de Clementina, uma dama fina e educada que balança o coração do solteirão. Descoberta a farsa, o dono da pensão tenta expulsá-lo de novo enquanto Pica Pau continua sua comilança desenfreada.



INVEJA

Dooley não tava mais dando conta do recado de fazer o rei rir e temia perder o emprego como bufão. Então o monarca viu o Cabeça Vermelha ao longe numa árvore e o idealiza como o novo bobo da corte ordenando ao servo que vá buscá-lo. Claro que ele não gosta nada da situação e tenta se livrar do ruivinho de todas as formas. Assim age o invejoso: lhe incomoda o fato de o outro ter algo e ele não e quer se apossar das coisas e da vida do outro, tentando diminuí-lo e destruir a vida do invejado.



IRA

Nesse episódio o Cabeça de Fogo tenta dormir pra participar de uma caçada que iniciaria às 5 da manhã. Mas quem disse que ele conseguiu? Claro que qualquer pessoa numa situação de passar a noite toda em claro com mil e um barulhos, luzes e cia ilimitada atrapalhando o que era pra ser uma bela noite de descanso ficaria irada mesmo, porém Pica Pau leva isso às últimas consequências.




LUXÚRIA

Uma linda mulher chamada Babalu dança hipnoticamente no intuito de atrair dois marinheiros desavisados que se divertem em um bar e ficam babando por ela, querendo beijá-la. Mas as intenções dela são as piores: levá-los em sacrifício a Vulcano e fazê-los virar churrasquinho, pois ele quer carne fresca; caso contrário, o povo de Babalu seria destruído por uma fortíssima erupção vulcânica. Assim é a luxúria: embora seja o pecado preferido de muita gente, às vezes pode levar quem a pratica à perdição.



PREGUIÇA

Gostar de pegar no pesado não é mesmo o forte do pássaro (pelo menos nos episódios mais antigos). Nos mais recentes (não aqueles dos anos 2000, me refiro aos dos anos 60 e 70) ele trampou em alguns. No episódio dessa lista ele se mostrou o próprio Sr. Preguiça: se aproveitou do que os outros acumulavam pro inverno e nada fez pra guardar comida. Dá pra imaginar o que aconteceu: o frio chegou e nosso amigo ficou sem um farelo pra pôr na boca.
 


SOBERBA

Sabem a velha máxima de que 'quem tudo quer tudo perde'? Ou aquela que diz que 'a soberba precede à ruína'? Assim foi com o Pica Pau: extremamente confiante que tinha bastante comida e que o tempo permaneceria bom ele nem se preocupou quando os outros animais disseram ir para o Sul a fim de fugir do grande frio que se aproximava. Já em casa, depois de quase virar picolé, ele enfrentou um tornado que estava do lado de fora dizendo que tinha bastante comida. Então o fenômeno da natureza invadiu sua casa e levou tudo! Sua soberba o levou a não ter absolutamente nada com que forrar o estômago.





Talvez vocês não concordem com alguns dos episódios listados mas se pensarem bem verão que fazem todo o sentido. Por quê escolhi os antigos e não os recentes? Por uma simples razão: os antigos são os que marcaram minha infância e são infinitamente melhores que os novos, apesar de que os novos tem episódios bons. Espero que tenham curtido essa lista curiosa. Acho que daria até um artigo acadêmico como o que o professor brasileiro (pós-doutorado de História, Ademir Luiz é o nome dele. Quem quiser dar uma olhada, veja o link http://www.vix.com/pt/bbr/1430/o-que-chaves-tem-a-ver-com-os-7-pecados-capitais) fez relacionando os 7 pecados com o Chaves. Espero que lhes seja aprazível. Até mais, pessoal!

sábado, 29 de julho de 2017

A história real de Anastásia Romanova

Olá a todos! Hoje trago um pouco da história da princesa russa Anastásia Romanova. Quem nunca ouviu falar dela? Se tem alguém que nunca leu uma linha sobre a moça, hoje poderão conhecê-la. Se assistiram ao filme da Disney de 1997 com certeza lembram da história da jovem órfã que se descobre nada mais nada menos que a menina mais nova da família imperial russa que sobreviveu à matança dos pais e irmãos. Acompanhemos o desenrolar dos fatos sobre sua vida e os eventos que a levaram a se tornar uma das personagens históricas mais veneradas da História recente, mas alerto-os desde já que não esperem encontrar a mesma história do mencionado filme.

Uma família unida e feliz que nunca imaginou que seu fim seria tão trágico... Imagem: Upendista.com

Anastásia Nikolayevna Romanova (em cirílico russo: Анастасия Николаевна Романова) nasceu em 18/01/1901 em Peterhof (Rússia) filha do imperador Nicolau II e sua esposa Alexandra Feodorovna (aqui só um parêntese cultural: em russo o sufixo 'vna' significa 'filha de' seguida do nome do pai. É a forma feminina de 'vich'. No caso dela o sobrenome era o nome da dinastia seguido de A, como em qualquer outro nome russo). O czar e a czarina não pareciam muito felizes em ter tido uma quarta menina (os dois já eram pais de Olga, Tatiana e Maria) pois todos esperavam que fosse um menino para herdar o trono. Os mandatários só seriam pais de um varão três anos depois quando do nascimento de Alexei.

Imagem: Upendista.com
A czarevna (filha do czar, em russo) tinha olhos azuis como todos os irmãos, seus cabelos eram louro-arruivados, tinha tendência a engordar e era de baixa estatura, coisa de que sempre se ressentiu. Seu nome significa 'aquela que renasce' ou 'a ressuscitada' (significado esse que caiu como uma luva depois que começaram a pipocar rumores de sua sobrevivência). Era chamada de Anastasie (seu nome em francês) ou Nastya, Nastas, Nastenka, Malenkaya (pequena), o carinhoso 'Raio de Sol' ou ainda Shvibzik (diabinho). Esse último talvez seja devido ao seu comportamento irrequieto que por vezes tirava alguns parentes do sério (sua tia Olga chegou a lhe dar uma bofetada).

A despeito de toda sua energia e vivacidade, a grã-duquesa apresentava alguns problemas de saúde: tinha joanetes nos dedos maiores dos pés e também um músculo fraco nas costas que precisava ser massageado duas vezes por semana (sessões que ela odiava). Talvez também fosse portadora do gene da hemofilia como a mãe (a tia Olga acreditava que as sobrinhas sangravam mais que o normal), pois essa doença genética é transmitida pela mãe aos filhos varões. A mulher não sofre da doença mas pode apresentar sintomas, como fortes sangramentos por apresentar menor capacidade de coagulação sanguínea. Talvez ela tivesse tido filhos hemofílicos.

Anastásia e Maria. Imagem: Upendista.com

Anastásia e Maria eram conhecidas como o Par Pequeno enquanto Olga e Tatiana eram chamadas de o Par Grande. A princesa tinha uma conexão tão especial com seu irmão caçula que os dois se entendiam apenas com um olhar sem dizer palavra. Era ela quem acalmava Alexei em suas crises de hemofilia (doença genética que faz a pessoa ser propensa a hemorragias com o menor corte, acomete principalmente homens) e durante as sessões de tratamento com Rasputin, um monge tido como santo que tinha a devoção cega de Alexandra. Estava longe de ser discreta e bem comportada como as irmãs mais velhas: era uma menina bastante elétrica que gostava de imitar os demais e pregar peças neles. Não estava nem aí para a prórpia aparência e se comportava quase como um menino: pulava, corria e subia em árvores. Talvez ela soubesse inconscientemente que seus pais queriam ter um garoto quando ela nasceu...

Maria, Anastásia, Olga e Tatiana (sentada). Imagem: Wikipédia

Durante a Primeira Guerra (1914-1918) Nicolau II foi considerado pelo povo como o único culpado por todas as mazelas sofridas. Em 1917, após a abdicação forçada do czar, ele, a esposa e os filhos, além de alguns criados e o médico da família ficaram primeiro em Czarskoe Selo sendo depois transferidos para Tobolsk e por fim a Ekaterimburgo, a cidade quer seria seu destino final. As moças eram seguidamente assediadas (tomem isso como um eufemismo) pelos bolcheviques mas mesmo assim tentavam passar o tempo da melhor forma durante a prisão. Segundo relatos de dois tutores das princesas, Sidney Gibbes e Pierre Gilliard, nada puderam fazer para ajudá-las: Gibbes foi assombrado pelo resto da vida por não ter podido socorre-las quando elas gritavam de terror e Gilliard descreveu a forma como tratavam qualquer um que o fizesse, incluindo ele mesmo.

Várias obras de ficção basearam-se na lenda criada em torno da czarevna, dentre elas:

Clothes make the woman (As roupas fazem a mulher), filme de 1928

Anastásia (com Ingrid Bergman no papel título), filme de 1956

Anastácia, a mulher sem destino (novela brasileira), de 1967

Anastasia, the riddle of Anna Anderson (Anastásia, o enigma de Anna Anderson), livro de 1983

Anastasia, the mystery of Anna (Anastásia, o mistério de Anna), filme de 1986 baseado no livro supracitado

Anastásia, filme de desenho animado de 1997

Outros livros, além de músicas e um jogo de videogame

 

Anna Anderson: durante mais de 60 anos sustentou ser Anastásia Romanova. Imagem: Wikipédia

Provavelmente de origem polonesa e chamando-se Franziska Schanzkowska foi a mais famosa 'Anastásia': muitas mulheres tentaram se passar pela filha mais nova de Nicolau e Alexandra mas nenhuma teve o destaque e a popularidade de Anna. Muitos eram os que não acreditavam que ela fosse de fato a grã-duquesa, incluindo a baronesa Sophia Buxhoeveden, antiga dama-de-companhia da czarina Alexandra, as tias Olga (por parte de pai) e Irene (por parte de mãe) e outros parentes, além dos tutores Gibbes e Gilliard (com sua esposa Alexandra Tegleva). Entre seus apoiantes estavam Serge e Gleb Botkin e Tatiana Botkina (respectivamente irmão, filho e filha de Eugene Botkin, o médico da família imperial assassinado junto com os patrões) além de Lili Dehn, amiga da mãe da grã-duquesa, e parentes como André Vladimorich, primo de Nicolau II. Pesavam contra ela o fato de falar alemão e não saber uma palavra de francês, russo ou inglês (nunca se falou alemão na família do último czar e a czarevna sabia as três últimas). Muita água rolou embaixo dessa ponte (inclusive processos nos tribunais e encontros com a família Schanzkowski). O mistério só acabou nos anos 90 quando um exame de DNA (graças a Deus que isso existe) comprovou que Anna era mesmo Franziska e não Anastásia. Encerrava-se em definitivo o mito da sobrevivência perpetuado por quase um século.

FONTES: Wikipédia, Blog Rainhas Trágicas, Upendista.com e Blog Os Romanov


A história de Anya, que depois descobriu ser Anastásia, foi inspirada no famoso mito da sobrevivência da grã-duquesa. Imagem: Blog Rainhas Trágicas

Teria sido maravilhoso se ela tivesse realmente tido a chance de escapar. Se já tem tantas estórias e referências a ela sendo sua sobrevivência infelizmente uma lenda imagine se ela realmente tivesse fugido e vivido uma vida tranquila e anônima em outro lugar. Não foi o que aconteceu: a czarevna foi assassinada junto da família em 17/07/1918. Os corpos de todos foram banhados com ácido sulfúrico, queimados (talvez pra dificultar uma posterior identifação - ainda bem que o teste de DNA foi criado décadas depois) e enterrados, sendo que dois corpos foram enterrados longe dos demais. Quando as tumbas foram encontradas em 1998 a suposta sobrevivência de Anastásia ganhou vida nova. Mas então veio a quebra da expectativa de muitos admiradores: em 2007 foram descobertos os dois cadáveres restantes e comparando seus DNA's com o de um descendente Romanov ainda vivo (Felipe de Edimburgo, marido de Elizabeth II da Inglaterra) comprovou por A+B a identidade deles. Findava-se ali qualquer esperança de um final feliz para a princesa. Eu avisei que o final não era como o do filme. Espero que tenham gostado, apesar de ser uma história de final trágico. A moça não sobreviveu mas a história em torno dela ainda encanta a muitos e a fez se tornar uma das mais queridas e emblemáticas personagens históricas da História recente. Até mais, pessoal!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Curiosidades linguísticas — parte 2

Olá a todos! Hoje trarei mais algumas curiosidades dos idiomas falados ao redor do globo. Na primeira parte postei alguns dos mais falados e conhecidos (ou não) e agora mostrarei mais algumas coisas interessantes sobre idiomas. Esse post tá um pouco mais trabalhado que o anterior, na minha opinião. Devia ser parte 2.0 (kkkkk)! Let's go, folks!


Letão: língua báltica cuja única parente ainda viva é o lituano, essa língua conta com particularidades no mínimo surpreendentes: vários idiomas tem vogais longas e curtas, certo? Certo! Outros tem consoantes longas, verdade? Verdade! Agora imagina aí uma língua que tem as duas... Ei-la aqui!!! Porque não basta só ter vogais longas, é preciso que as consoantes também sejam assim. Abaixo temos um vídeo do alfabeto. Acho lindo a letra O pronunciada como "ua". Outro ponto: só as vogais longas são letras separadas no alfabeto desse idioma, as consoantes longas não.



Livoniano: infelizmente é uma língua quase extinta (a última falante realmente fluente morreu em 2013). É falada na Letônia e estão tentando revivê-la, mas além de ser um grupo pequeno essas pessoas tem nível no máximo B1 ou B2. Esperemos que dê certo! Esse idioma tem alfabeto e pronúncia bem curiosas. Na foto abaixo tem as letras com a respectiva pronúncia (com direito a transcrição fonética) e o link com mais informações (em inglês). Poucas vezes vi uma língua com tantos sons vocálicos. Preparados?

Imagem: http://www.omniglot.com/writing/livonian.htm

Finlandês: a parente mais próxima do estoniano e (nem tanto) do húngaro tem apenas 14 casos, o mesmo que sua prima mais próxima (algumas palavras são quase iguais entre as duas) e quatro a menos que a prima mais afastada. Muitos deles poderiam ser resumidos a dois: locativo e instrumental. Afinal é difícil decorar tantas terminações pra ter noção se algo está em cima ou em baixo ou se vem de dentro pra fora e vice-versa. É tida como uma das línguas mais difíceis de ser aprendida e uma de suas marcas registradas é o R bem vibrante (lindo!). Assim como muitos outros idiomas parece mais 'palpável' quando cantado (sem ofensa!).

Irlandês: também conhecido como gaélico irlandês ou só gaélico (Gaeilge), é uma língua de origem celta e junto com o inglês é língua oficial da Irlanda. Sabe aquela língua que se escreve de um jeito e se fala de outro? Talvez muitos digam francês... Também, mas no caso do gaélico o buraco é bem mais embaixo, kkkkk! Brincadeiras à parte, é uma língua muito interessante que infelizmente não é muito falada na Irlanda apesar de o governo da ilha ter tornado obrigatório seu estudo. Para mais informações, consultem o link: https://briogaledon.wordpress.com/2012/06/11/introducao-ao-irlandes-alfabeto-e-pronuncia/

Árabe: falado ao redor do mundo por mais de 400 milhões de pessoas é uma língua que exige dedicação, esforço e tempo da parte do aprendente (algo em torno de 90% transpiração e 10% respiração). Além de ter muitas variações (egípcio e libanês são dois exemplos). Deve-se ler da direita pra esquerda (assim como o hebraico). Li certa vez que o lado direito do cérebro deixa o esquerdo trabalhando sozinho durante o aprendizado desse idioma. Não vou lembrar a fonte pois li isso faz muito tempo mas não duvido que seja verdade... E isso não é preconceito ou ofensa! Admiro quem queira aprendê-lo.

Cantonês: se dominar o mandarim já é difícil, imagine essa: um dos dialetos mais conhecidos do que chamamos chinês (na verdade, segundo alguns linguistas, uma família de dialetos) tem 6 tons! Mais difícil que o mandarim que só tem 4... No entanto o cantonês soa mais melódico que o mandarim (será por ter mais tons?). Falar e escrever em cantonês não é com certeza tarefa fácil mas nada que muuuuuita persistência não possa fazer.

Ido: é uma língua gerada a partir do esperanto (tanto que a palavra ido significa 'descendente'). Depois de desentendimentos sobre como deveria ser o projeto de construção da língua internacional tão almejada por vários intelectuais surgiu essa língua bastante similar ao esperanto. Tem bem menos falantes que esta última porém os falantes de uma podem facilmente ser entendidos pelos da outra (mais ou menos como galego e português, mas talvez sejam ainda mais próximas). Uma das diferenças é o uso de todas as letras do alfabeto latino no ido, algo que não ocorre no esperanto, o qual não usa Q, X, W e Y. Além disso a primeira não usa diacríticos e há também diferenças gramaticais e vocabulares entre ambas.

Dothraki: a primeira língua criada para o aclamado seriado Game of Thrones. Assim como o esperanto é uma língua inventada. Toda a gramática e estrutura da língua é adaptada à história e sua fonologia deveria ser facilmente aprendida pelos atores (exigência da HBO, canal que transmite a série). Pra alguns pode soar como árabe mas os falantes desse idioma não vão concordar (palavras do criador do dothraki, David J. Peterson). Devido ao enorme sucesso de GoT há um crescente interesse em aprendê-lo. Aqui temos uma amostra da língua falada (com certeza os fãs irão ao delírio).



Grego: se existe um idioma que influenciou vários desde tempos imemoriais esse é o grego. Na Antiguidade esse idioma influenciou fortemente o latim (era a língua do mundo naqueles tempos) e assim temos nas línguas românicas muitas palavras de origem helênica. Claro que não dá pra chamar as neolatinas de línguas greco-românicas por uma boa razão: a estrutura da gramática veio do latim e não do grego. Sem dúvida é uma língua interessantíssima e até hoje pouco mudou mesmo com vários dialetos mudando radicalmente uma mesma palavra (como em várias línguas) e mais de 2000 anos de uso prático.

Islandês: palavras enormes e quase impronunciáveis, sem dialetos e uma das mais puras (se não A mais pura) do mundo. Assim é o islandês, uma língua que praticamente não mudou desde os primeiros registros escritos. É falada na Islândia, tida como das mais difíceis (se não A mais difícil, particularmente não concordo) de aprender e - por incrível que pareça - prima do inglês. Conserva em seu alfabeto duas letras derivadas do antigo alfabeto rúnico (þ e ð) e tem um caráter muito conservador (ou seja, estrangeirismos quase nunca são bem vindos) que visa principalmente manter a pureza da língua. E eles conseguem!

Como podem ver as línguas tem particularidades que vale a pena conhecer. Espero que curtam essa segunda parte. Em outras postagens trarei mais curiosidades de outras línguas ao redor do globo. Amantes dos idiomas, uni-vos! Até mais, pessoal!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Existem mesmo línguas 'úteis' e/ou 'inúteis'?

Olá a todos! Estive pensando nos últimos dias num conceito levantado por alguns e que podemos chamar depreciativo e desrespeitoso: utilidade ou não de uma língua. Existem mesmo línguas úteis e/ou inúteis? Uma das muitas definições de língua diz que é o conjunto dos elementos que constituem a linguagem falada ou escrita peculiar a uma comunidade'. O que equivale a dizer que não importa se uma sequência de sons falada e/ou letras escritas por alguém é falada por toda a população do planeta ou por apenas meia dúzia. O que conhecemos por língua (ou idioma) é muito mais do que isso. Um idioma é parte da integralidade de um povo, representa toda uma cultura, história e identidade de um povo e/ou local. Discorda? Se não, vejamos...

Você fala minha língua???

Por exemplo, sabem quais são as 10 línguas mais faladas? A ordem muitas vezes difere e também uma ou outra pode entrar e sair do ranking das 10 mais, no entanto é consenso que chinês, inglês, espanhol, árabe, português, japonês, hindi, russo e bengali (Índia) marcam presença lá. O francês e o punjabi (Índia) trocam de lugar conforme algumas listas. Essas seriam consideradas úteis do ponto de vista do mercado. Mas ainda tem francês, italiano, sueco, coreano e outras de acordo com a esfera de influência de um país. Mas o que dizer de um idioma artificial?

Sem sombra de dúvida o exemplo mais conhecido de língua não-natural é o esperanto. Ele não é idioma oficial em nenhum país ou região e foi criado com o intuito de que os falantes de vários idiomas e dialetos pudessem se entender e é a língua artificial mais longeva: 130 anos! E ao contrário do que muitos pensam o idioma neutro criado pelo linguista polonês Ludwik Lejzer Zamenhof vai muito bem obrigado! São muitas as publicações (livros, músicas, sites). Existe uma série de idiomas não-naturais no cinema e na TV (dothraki de 'Game of Thrones', klingon de 'Star Trek' e Na'vi de 'Avatar' só pra citar alguns dos mais conhecidos) e existem publicações e gente ávida em aprendê-los.

De longe os alfabetos mais conhecidos e usados no mundo são o latino, o grego (ελληνικό αλφάβητο), o cirílico (азбука), o árabe (أبجدية عربية) e o hebraico. Porém a variedade é infinitamente grande e ainda tem as línguas ágrafas (sem sistema de escrita).

Juntos esses caras falam pelo menos umas 30 línguas! Créditos: Youtube/Babbel

Os caras da foto acima merecem nosso respeito: tratam-se do inglês Alex Rawlings, os gêmeos também ingleses Matthew e Michael Youlden e o italiano Luca Lampariello. Esse quarteto é o que podemos chamar de hiperpoliglotas e são incansáveis na arte de aprender. Claro que existem muitos outros que são (ou se passam por) hiperpoliglotas porém esses caras aprenderam quase todas as que sabem sozinhos!

Eis a matéria da Babbel onde foram desafiados a aprender um pouco de romeno por (apenas!) uma hora:
https://pt.babbel.com/pt/magazine/poliglotas-tentam-aprender-idioma-em-uma-hora

"Eu não escolho as línguas. Eu deixo as línguas me escolherem". (Luca Lampariello)
 
Essa citação é ótima: pra muita gente é exatamente o que acontece. E pra você, o que define a 'utilidade' ou não de um idioma? O simples fato de ser aceito num mundo vorazmente moderno que preza pela carreira e vai te servir no currículo? Seu intuito é prevenir ou ao menos retardar o Alzheimer? Porque você simplesmente amou aquela sonoridade e resolveu que devia incluí-la na sua vida? Seja como for, é algo que você gosta. Se você não gosta ou não tem interesse na língua X ou Y tudo bem. Está no seu direito. Só que isso não te dá o direito de atacar quem as estuda (como já presenciei). Se não é 'útil' pra você o será a outrem. E tenho dito! Minha humilde opinião é: NÃO existem línguas inúteis mesmo que venha um batalhão dizer o contrário e até querer te convencer disso. TODAS tem utilidade. Tanto faz se a pessoa quer aprender a falar uma língua falada por 2 bilhões ou por mera meia dúzia de falantes. Vá em frente e não deixe que determinem o que é útil ou inútil pra você. Até mais, pessoal!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Victor Lustig

Olá a todos! Hoje falarei de Victor Lustig, um dos maiores vigaristas (talvez o maior) de todos os tempos. Pra quem nunca ouviu falar dele, esse homem passou à História como aquele que vendeu a Torre Eiffel duas vezes. Isso mesmo, caros exagerados: DUAS vezes! Sem contar o golpe mais audacioso que por um golpe (trocadilho não intencional) de sorte não lhe custou a vida... Com classe, astúcia e muuuuita habilidade, ele enganou várias pessoas em muitos lugares. Como ele conseguiu esses feitos? É o que iremos descobrir agora!


Nascido na atual República Tcheca, o 'conde' (como gostava de ser chamado) Victor falava fluentemente cinco línguas: tcheco, alemão, francês, italiano e inglês. Deu vários golpes na América depois de se mandar pra lá após a 1ª Guerra e lá encheu a burra os bolsos de money. A ideia para seu mais conhecido golpe veio após a leitura de um artigo sobre a dificuldade de manter a Torre Eiffel. Voltou à Cidade-Luz e lá deu seu mais famoso golpe...


Mas antes de adentrar no assunto preciso mencionar algo: a caixa de fazer dinheiro. Sim, senhoras e senhores exagerad@s! Um golpe que deu muito certo no início do século passado e que certamente faria muito sucesso ainda hoje. A engenhoca funcionava assim: uma nota era colocada na caixa e depois de 6 horas (era importante ter paciência e não matar a galinha dos ovos de ouro antes de ela começar a botar) saía a nota e uma réplica perfeita. Claro que antes da demonstração uma nota idêntica era colocada na caixa a fim de que a vítima não desconfiasse. E se mesmo assim a confiança dos incautos não fosse devidamente conquistada Victor ainda tinha a cara de pau de ir com a pessoa até um banco. Com o OK da instituição que a nota era verdadeira não havia mais espaço pra dúvidas. Ele até mesmo enganou um xerife com ela: disse que lhe daria um superdesconto (a 'maravilha' custava 35000 dólares da época porém a autoridade poderia consegui-la por apenas 10000) se o tirasse da cadeia. Claro que uma vez verificada a fraude o xerife não sossegou enquanto não pôs de novo as mãos nele. Mas como a dissimulação de um falsário não conhece limites, Victor devolveu a quantia à autoridade para provar sua integridade. Adivinhem o que aconteceu? O xerife caiu no logro outra vez e foi parar na cadeia passando notas falsas de 100!!!

A torre e Alexandre Gustave Eiffel, o engenheiro que a mandou construir e de quem herdou o nome


Vamos abrir só um pequeno parêntese sobre o monumento: a Torre Eiffel foi idealizada pelos engenheiros Maurice Koechlin, Émile Nouguier e Stephen Sauvestre, que trabalhavam na empresa de Eiffel em face da comemoração do centenário da Revolução Francesa. Os dois primeiros fizeram o projeto inicial mas Eiffel só o aprovou depois das modificações do último. Sua construção se iniciou em 28/01/1887 e foi inaugurada em 31/03/1889 (ou seja, a estrutura acabou de fazer aniversário! Bonne Anniversaire!). Foi aberta ao público em 06/05 do mesmo ano e permaneceu como construção mais alta do mundo até 1924.

Agora sim vamos aos fatos: o golpe de mestre do falsário foi a supracitada 'venda' do monumento mais famoso da França. A Câmara de Paris estava dura sem dinheiro para consertar a torre (que àquela altura estava coberta de ferrugem) e vislumbrou uma oportunidade de ouro. Instalou-se na melhor suíte do Hôtel de Crillon e fazendo-se passar por funcionário do governo francês para cinco empresário do ramo da sucata. A proposta parecia interessante: a torre seria desmontada e os pedaços vendidos a ferros velhos! Conseguiu enganar André Poisson dizendo que lhe garantiria preferência no negócio se este lhe desse algum por fora. E assim foi: o empresário pagou à 'autoridade' 70000 dólares nota por cima de nota. 


O 'conde' tratou de se empirulitar rapidamente da França com o dinheiro. Envergonhado por ter caído na lábia do falsário, André não o denunciou à polícia. Como havia tido sorte na primeira tentativa ele tentou de novo (a velha máxima de que o criminoso sempre volta ao local do crime) e teve êxito mais uma vez, certo? Errado! Os empresários foram mais vivos e acionaram a polícia no ato. Desta feita Victor não teve outra alternativa a não ser fugir para os EUA. Adivinhem o que ele fez na sua volta à terra do Tio Sam? Procurou novas vítimas, obviamente.

Seu golpe mais audacioso sem dúvida foi tirar dinheiro de Al Capone sem que o mesmo percebesse se tratar de uma manobra do falso nobre. Façamos outro parêntese sobre o mafioso: filho de pais italianos, nasceu nos EUA e se tornou um dos chefões do crime organizado daquele país ainda muito jovem. Vendeu uísque durante a Lei Seca entre outras atividades ilegais. Contraiu sífilis devido à sua promiscuidade e foi condenado a 11 anos de prisão mas morreu não na prisão e sim junto da família por conta de problemas de saúde advindos da doença.

Al Capone era conhecido por Scarface por causa de uma cicatriz no rosto

O mafioso emprestou-lhe 50000 dólares para que Victor os investisse na Bolsa. Daí ele fugiu com a grana, certo? Errado! Ele podia ser tudo menos suicida. Guardou a quantia durante meses e depois a devolveu! Isso mesmo, car@s exagerad@s: ele restituiu o montante nota por cima de nota dizendo que o tal investimento não dera certo. Impressionado com a 'honestidade' do europeu, Scarface lhe deu 5000 dólares de recompensa. Talvez vocês se perguntem onde está o golpe. Aí é que reside a inteligência da pessoa: os 5000 eram o objetivo dele desde o início! Filho da mãe! Conseguiu dar uma volta apenas num dos maiores (senão o maior) gangsters de todos os tempos! Audácia e sangue frio eram ou não seus sobrenomes?

FONTES: O Aprendiz Verde, Wikipédia, Mundo Estranho, Printerest, History, Conexão Paris, EntreMentes (texto e imagens).


Não se pode negar que mesmo tendo sido um gênio do mal ele era astuto como uma raposa. Sabia por onde e como transitar nos mais diversos ambientes assim como sabia a forma certa de lidar com todo tipo de gente. Em geral, muitos criminosos são assim: elegantes, convincentes e não agem com violência mas mesmo assim podem deixar efeitos devastadores no psicológico das vítimas. Esperamos nunca nos encontrar com um desses pelo caminho da vida mas é sempre bom ficar de olho! Em breve voltarei com mais posts interessantes, fiquem no aguardo! Até mais, pessoal!

terça-feira, 21 de março de 2017

Mata Hari

Olá a todos! Hoje falarei de uma mulher à frente do seu tempo, alguém que não teve medo de enfrentar as convenções da época em busca do que queria: Mata Hari. Dançarina considerada exótica, ela conquistou multidões pela Europa no início do século passado e até hoje sua figura inspira livros, filmes, peças e toda sorte de produções artísticas. Morreu fuzilada em 1917 acusada de ser espiã dos alemães contra a França e também uma agente dupla. Mas quem era realmente esse verdadeiro furacão que varreu a Europa com seu charme e beleza? O que acontecia nos bastidores da vida dessa mulher tão enigmática?


Margaretha Gertruida Zelle nasceu em Leeuwarden (Holanda) em 07/08/1876 filha do empresário Adam Zelle e sua esposa Antje van der Meulen e tinha uma vida igual à de muitas jovens da sua época. Após a morte da mãe quando Margaretha tinha apenas 14 anos sua família faliu e sua vida virou de cabeça pra baixo: o pai casou novamente e mandou ela e os irmãos a um colégio interno. Depois que o pai morreu a madrasta se recusou a pagar seus estudos e o diretor do lugar se comprometeu a ser uma espécie de tutor para a jovem (com terceiras e quartas intenções, é claro...).
A moça acabou expulsa do internato e indo morar com um tio. Um belo dia ela se deparou com um anúncio de casamento do capitão Rudolf MacLeod e foi atrás do militar candidatando-se ao posto de noiva. Deu certo: os dois se casaram e tiveram dois filhos, Norman e Jeanne Louise. O casal passou a morar na Indonésia (na época Índias Orientais Holandesas) e ela encantou-se com o lugar e principalmente sua cultura. Mas a união dos dois não foi como ela poderia imaginar...

Definitivamente eles não foram feitos um para o outro!

Dizem que o tal anúncio foi fruto de uma brincadeira pois os amigos do militar o provocavam que ele estaria 'velho' e não tinha casado ainda. O fato é que eles subiram ao altar e a união estava loooonge de ser um mar de rosas. Ele tinha uma amante: a ama de seus filhos! Segundo fontes, ele era beberrão e violento: agredia e ameaçava a esposa. Infelizmente uma situação essa enfrentada ainda por muitas mulheres ao redor do globo ainda hoje. Ela passou a evitar amigos próximos de seu círculo devido a esse fato. Porém a bela-recatada-e-do-lar arrumou outro, segundo algumas fontes. Depois da morte do filho a moça entrou em depressão e estava ainda mais subjugada à tirania do marido. Mas a situação mudaria dentro em pouco...

Morria Margaretha, nascia Mata Hari

A sorte parecia lhe sorrir: tornou-se amiga de uma dançarina indonésia e aprendeu ainda mais sobre cultura e as danças daquele país. Era o embrião da futura bailarina exótica. Fugiu para a Europa e se instalou em Paris em 1903. Como não tinha um tostão furado acabou posando nua para artistas e trabalhou em um circo. Mas seu grande momento viria em 1905: agora atendendo por Mata Hari, se apresentou no Musée Guimet, dedicado à cultura asiática e causou! Deixou (assim como faria nos anos seguintes) muito barbado babando. Nascia uma das estrelas mais fascinantes e intrigantes da História. Margaretha não existia mais; agora ela era Mata Hari!


Em malaio e indonésio seu pseudônimo significa sol (mais literalmente 'olho da manhã'). A todos ela contava que era uma princesa hindu (ou javanesa, as fontes divergem). Ela própria deve ter acreditado nessa história depois de tê-la contado à exaustão... Como o exotismo estava em voga naquele tempo ela se tornou sensação: só dava ela! Sua execução de danças sagradas do Oriente aliada a seu físico esbelto e magnetismo natural a tornaram uma lenda. Apresentava-se em trajes indianos e dançava em números hipnotizantes (também fazia strip-tease). Muitos foram os homens que se encantaram por ela vindos de vários lugares do Velho Continente. Entretanto ela começava a despertar suspeitas...

A dançarina quando de sua prisão (1917)
Documentos falando de um certo 'Agente H21' foram encontrados pelos ingleses e atribuíram esse codinome a ela. Foi presa e acusada de espionagem depois de encontrarem dinheiro e tinta invisível. De nada adiantou apelar por inocência e clemência: Mata Hari foi condenada à pena capital e executada em Vincennes em 15/10/1917 aos 41 anos. Ninguém reclamou seu corpo, que foi entregue a uma faculdade para ser dissecado. Triste fim para uma mulher que no início do século passado ousou ser dona da própria vida e afrontar as conveniências de um mundo machocêntrico como o de então. Como muitos e muitas ela buscou a felicidade sem encontrá-la. Morria a mulher; perpetuava-se o mito.

FONTES: Wikipédia, Mega Curioso, Mundo Tentacular, História Viva, Obvious, Biography.com, Cabine do Tempo, Bibliblog (texto e imagens).

Greta Garbo interpretou a dançarina exótica no filme Mata Hari (1931)

Muitos detalhes divergem de acordo com autores e sites mas uma coisa é certa: Mata Hari não era uma mulher comum, muito menos uma mulher qualquer. Inspirou filmes, peças, livros e outros (entre eles o filme da foto acima com Greta Garbo e ser citada como um dos amores de James Bond tendo com ele uma filha, além do livro 'A Espiã' de Paulo Coelho). A mulher que fez multidões de homens caírem a seus pés era para além de um símbolo sexual da época: era um símbolo de rebeldia e de libertação da mulher num tempo que as mulheres não podiam expressar livremente suas opiniões. Elas não eram mais taxadas de bruxas e mortas em fogueiras porém ainda eram consideradas bastante perigosas. É possível que seu julgamento e posterior fuzilamento tenham sido uma queima de arquivo: a dançarina tinha muitos amantes e eles podem ter passado informações e ainda pesava sobre ela a acusação de ser agente dupla de França e Alemanha. Culpada ou inocente a beldade se tornou algo muito maior do que um mero rosto ou corpo bonito: a aura de mistério que construiu em torno de si a transformou numa daquelas mulheres cujas lendas e histórias sobre elas acabam ultrapassando os fatos reais de sua história. Até mais, pessoal!